A geopolítica do petróleo é decisiva na consumação do golpe de 2016

O terceiro encontro do Curso o Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil discutiu a “Geopolítica do Petróleo: sua interferência no golpe de 2016 e além”, com palestra do diretor do Departamento de Administração da UFRPE, Rodolfo Araújo. Na abertura da aula, o professor Romilson Castro fez uma apresentação do tema: Estado, Sociedade, Administração Pública e os Golpes.

Ele fez questão de prestar solidariedade ao professor Luís Felipe Miguel, da Universidade de Brasília (UNB), que realizou o primeiro curso sobre o golpe de 2016, uma iniciativa que sofreu forte perseguição por parte do Ministério da Educação de Temer, com interferência direta na autonomia universitária. Hoje o curso já se propagou em 46 universidades brasileiras, incluindo a UFRPE.

Segundo o professor Rodolfo Araújo, a influência da geopolítica do petróleo no golpe que retirou a presidenta da Dilma Rousseff do poder é muito grande. “A descoberta do pré-sal, que se configura em petróleo da melhor qualidade, e a decisão dos governos petistas em explorar essa reserva por meio do sistema de partilha, e não no sistema de concessão, como queriam as petroleiras, foram decisivas para a estratégia de consumação do golpe”, ressalta.

Ele explica que, no sistema de partilha, o petróleo é do Brasil. “As empresas petroleiras retiram o petróleo e o país paga para elas o valor. Já no sistema de concessão, as grandes multinacionais do petróleo pagam ao país, apenas, o imposto pela retirada do petróleo, ou seja, o petróleo é delas. Isso é um absurdo”, pontua Rodolfo Araújo.

O professor do Departamento de Administração da UFRPE destacou, ainda, o ‘pacote de maldades’ imposto pela pauta neoliberal do golpe, como a PEC da morte, que retirou R$ 20 bilhões de recursos da saúde e educação, as privatizações, que já vêm ocorrendo em várias estatais, a exemplo da Petrobras. Além de muitas outras coisas, como o desmonte dos bancos públicos e de políticas sociais importantes para população, como os programas Minha Casa, Minha Vida e o Mais Médicos.

Outro retrocesso de peso foi a aprovação da reforma trabalhista, que tirou da classe trabalhadora conquistas de décadas. “O governo Temer assumiu a agenda das multinacionais a partir de maio de 2016”, criticou o palestrante que também explicou a importância da Operação Lava Jato como principal estratégia para consumação do golpe, com a criminalização do PT e das suas principais lideranças.

Ele ainda destacou que em todos os momentos da história que o Brasil tentou se soerguer como potência, foi arrastado por golpes, sempre com o decisivo apoio da grande mídia, como a rede globo e outras grandes corporações.

Rodolfo Araújo encerrou a palestra convocando os participantes para a luta no sentido de conscientizar as pessoas para eleger deputados minimamente comprometidos com as causas sociais e os avanços. “É importante eleger um governo progressista e, mais ainda, um parlamento com qualidade”, frisou.

O quarto encontro do curso O Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil acontecerá na próxima quinta-feira (24), com palestra do professor da UFRPE, Gustavo Acioli e convidados, sobre “Conjuntura Política e Econômica no Contexto dos Golpes de 1964 e 2016”, a partir das 14h, no auditório da Aduferpe.

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