NOTA DE REPÚDIO AO FASCISMO

(Departamento de Educação UFRPE)

Os professores e as professoras do Departamento de Educação da Universidade Federal Rural de Pernambuco, em sua trajetória de mais de 50 anos de formação de profissionais comprometidos com a democracia e com os direitos humanos, manifestam seu total repúdio ao fascismo expresso no discurso de incitação ao ódio, à violência e ao horror monstruoso, impregnado de racismo, xenofobia e de perseguição a todas as formas de expressão da liberdade.

Um discurso que atenta contra as mulheres, contra os negros, contra os movimentos LGBT, contra o respeito às diferenças e a todo princípio de dignidade humana. Tal postura arrogante, autoritária, violenta e fascista viola a ideia de educação como prática de liberdade, colocando-se na contramão da educação transformadora, crítica e reflexiva da sociedade, como direito do cidadão, em suas múltiplas formas de expressão humana e democrática.

A liberdade de cátedra, que contempla a diferença e o diálogo, não pode ser cerceada! A Pedagogia Brasileira, respeitada e reconhecida no mundo inteiro, não pode ser ameaçada! Paulo Freire, ícone de uma Educação Libertária, Democrática e Dialógica, norteia os passos dos educadores brasileiros na condenação do fascismo e de toda a forma de opressão, como nós estamos fazendo neste ato comemorativo do Dia do Professor.

No quadro político atual que ameaça os direitos fundamentais dos cidadãos, garantidos na Carta Magna de 1988, os professores e as professoras do Departamento de Educação da UFRPE se reúnem aos setores progressistas da sociedade brasileira contra o fascismo e a favor da Educação.

 

Viva o Dia do Professor e da Professora!

15 de outubro de 2018.

Posted On 15 out 2018

Candidatos a deputado federal participam de debate na Aduferpe e assinam Carta Compromisso

A Roda de Diálogo com os candidatos a deputado federal promovida pela Aduferpe, na manhã desta quinta-feira (27), reuniu Amaro de Ipojuca (PSTU) e Paulo Rubem (PSOL), que conversaram com o público sobre o grave retrocesso da educação no Brasil, a falta de políticas de saúde e juventude, autoritarismo, preconceito, violência, corrupção e o papel dos movimentos sociais nessa conjuntura. O primeiro a falar foi o agricultor Amaro de Ipojuca, trabalhador do corte da cana, que pela primeira vez estava participando de um debate em uma universidade.

Amaro destacou a árdua vida dos trabalhadores rurais nos engenhos pernambucanos, ressaltando que muitos ainda vivem na condição de escravos. “Tinha época em que dizíamos que o açúcar tinha gosto de sangue, porque muitos colegas morreram por lutar pelos seus direitos”, afirmou. Para ele, não há outro caminho para o desenvolvimento da nação que não seja investir na educação.

O candidato e professor da UFPE Paulo Rubem, que já foi deputado estadual e federal em algumas legislaturas, observou que nenhum mandato substitui a luta dos movimentos sociais, por mais amplo que seja. “O papel do mandato é estar ao lado da luta dos trabalhadores”, frisou. Ele reforçou a necessidade de se formar bancadas no parlamento como homens e mulheres, do campo e da cidade, para fazer o combate ao retrocesso nas políticas públicas, ao ódio, o preconceito, à violência e todas as formas de opressão da sociedade.

A Roda de Diálogo, coordenada pelo professor do Departamento de Educação, José Nilton, ainda contou com três blocos de perguntas do público. Ao final, a presidenta da Aduferpe, professora Erika Suruagy, fez a leitura da Carta Compromisso, entregue aos candidatos, pedindo aos mesmos que, se eleitos, defendam os direitos sociais, a universidade pública, gratuita, de qualidade e laica, recursos públicos para o desenvolvimento da ciência e tecnologia, programa de formação de professores e de bolsas para atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Os candidatos do PSOL e do PSTU assinaram o documento, mas o do PSTU destacou que não concordava com o trecho que se referia ao ‘golpe parlamentar-jurídico-midiático de 2016’. Ainda o candidato a deputado estadual pelo PT, Roberto Mardônio, que apenas assistiu ao debate, pediu para assinar o documento.

Posted On 02 out 2018

Nessas eleições, diga NÃO ao ódio e retrocesso

A Aduferpe reconhece a importância do forte movimento de repúdio ao retrocesso e à intolerância, representados nas eleições por uma candidatura conservadora à presidência, de caráter violento, antidemocrático, racista e misógino, e entende que esta seção sindical não deve ficar fora desse movimento.

No entanto, é necessária a conciência de que se misturam nesta manifestação de larga abrangência social, tanto setores progressistas defensores dos direitos humanos e trabalhistas, como setores da direita, responsáveis pela ascensão no país deste perfil de comportamento fascista, e que agora querem pegar a onda da rejeição desse candidato para ver aceito seu projeto neoliberal.

Portanto, destacamos a importância de não excluir do debate a dimensão política dessas manifestações, lembrando que essa candidatura é fruto do golpe de estado de 2016 e que seu combate deve se dar, entre as várias frentes, no campo das disputas políticas e nas urnas, elegendo candidat@s sintonizad@s com os interesses da classe trabalhadora, em especial, da mulher trabalhadora.

Vamos tomar as ruas no próximo sábado, 29!

Praça do Derby –  14h

#EleNão

#LulaLivre

Posted On 01 out 2018

Professor@s e estudantes pedem respeito à democracia no processo estatuinte

A direção da Aduferpe esteve presente na palestra Desafios do Processo Estatuinte na UFRPE, proferida pelo professor Luiz Maia, para pedir a revogação da resolução 029/2017, que altera a metodologia do processo estatuinte, elaborado democraticamente, em 2017, pela comissão organizadora, formada por docentes, discentes e funcionários. Na ocasião, foi distribuída uma nota da diretoria do Sindicato esclarecendo que sua posição foi deliberada em Assembleia Geral, em 17 de maio, e protocolada em Nota de Repúdio, pelo ofício 010/2017.

A nota da direção ainda destaca: ‘a categoria entende que o CONSU, ao rejeitar a metodologia proposta pela comissão, fere o princípio basilar da democracia ao delegar a si próprio a palavra final sobre o conteúdo e a forma do Estatuto da UFRPE’. Após a apresentação da palestra, professor@s e estudantes se posicionaram majoritariamente contra a resolução. ‘Nos negamos a participar de uma estatuinte antidemocrática’, afirmou a diretoria do Departamento de Educação, professora Mônica Folena.

Ao ser questionado sobre a resolução, o palestrante afirmou que ‘desejaria muito que essa mudança não fosse feita,mas ela foi. Então vamos nos manifestar. Nós temos uma relutância, um temor à democracia. As vezes ela parece radical, quando ela é simplesmente democrática’, frisou. A presidenta da Aduferpe, professora Erika Suruagy salientou que o estatuto é da década de 70, instituído em plena ditadura militar.

‘Como de fato vamos ter um estatuto democrático se a instância superior da Universidade tem medo de democracia? A decisão do CONSU, em não aceitar como última palavra o Congresso Estatuinte, demonstra um medo, um receio da democracia’, observou Erika Suruagy.

Posted On 01 out 2018

29 de setembro: Mulheres contra a violência, o feminicídio, a homofobia e o conservadorismo

Uma onda de mulheres promete ganhar as ruas neste dia 29 de setembro. Saindo das redes sociais, essa onda coloca na pauta a luta contra a violência, o feminicídio, a homofobia, o conservadorismo e o protofascismo. Há atos marcados em diversas cidades do país, em uma manifestação contra apologias à tortura e à ditadura militar.

O movimento começou nas redes sociais e ganhou enorme força após sofrer ataques de hackers simpatizantes desse ideário de violência. “A proposta sempre foi ir para as ruas, e o facebook foi um motor mobilizador. Sair das redes ir às ruas e às urnas, pensando em mobilizar contra um discurso, contra o que esse discurso representa”, diz Meimei Bastos, militante feminista e uma das organizadoras do ato que acontecerá em Brasília.

Para ela, a estrutura patriarcal da sociedade, que subjuga as mulheres, doutrina corpos e sentimentos, contribui para a criminalização das reivindicações feministas. “É muito difícil fazer essas pautas ecoarem para além dos círculos mais organizados [da militância feminista]”. Apesar disso, o aumento das denúncias de casos de feminicídio e a evidência da violência cotidiana a qual mulheres estão submetidas têm impelido essas pautas a ganharem as ruas. “As mulheres se identificam como vítimas da violência presente nesse tipo de discurso”.

Quando olhamos em retrospecto, percebemos que essa mobilização não começou agora. Como se diz nos círculos militantes: há um acúmulo de forças. “Nessa segunda década do século 20, o protagonismo das lutas sociais tem sido das mulheres”, avalia Caroline Lima, professora de História Social da UFBA  e diretora do ANDES-SN.

Caroline diz que em 2015, por exemplo, houve uma forte mobilização feminista para impedir a aprovação de um projeto de lei que criminalizava até o uso da pílula do dia seguinte. Para ela, as manifestações que acontecem agora acabam sendo a combinação desse histórico protagonismo feminino com o acirramento do processo eleitoral: “As mulheres estão em luta, rejeitando um projeto político misógino, homofóbico, transfóbico, racista, um projeto fascista”, explica.

Para Caroline, outros segmentos organizados da sociedade brasileira precisam entrar nessa briga: “o movimento sindical precisa se incorporar nessa luta”. Na sexta-feira (21), centrais sindicais publicaram nota reforçando as vozes se somando a esse esforço de organização contra forças autoritárias, machistas e apologistas à ditadura militar.

O posicionamento das centrais sindicais não ganhou muita repercussão na mídia comercial, diferentemente da cobertura dada ao engajamento das torcidas organizadas. A primeira foi a Gaviões da Fiel, seguida pela Torcida Jovem, do Santos, e pela torcida do Flamengo.

Artistas, celebridades e influenciadores digitais têm se manifestado contra o avanço das ideias conservadoras e da extrema-direita.  No twitter, a hashtag #EleNão esteve entre as mais compartilhadas no mundo por vários dias. Não é para menos que há uma forte e violenta reação acontecendo, tanto nas redes sociais, quanto nas ruas.

Aliás, foi a violenta reação à auto-organização das mulheres que as levou a buscar a mobilização nas ruas. Após terem seu grupo no facebook hackeado e transfigurado, as organizadoras tiveram seus telefones e dados pessoais expostos e passaram a ser alvo de ameaças. Das ameaças para as agressões não demorou muito. Na tarde de terça-feira (25), uma das organizadoras da manifestação de 29 de setembro foi agredida com socos e coronhadas, por três homens, na porta de casa, no Rio de Janeiro. Em Ribeirão Preto, por exemplo, mais de uma dezena de mulheres esteve na Delegacia de Defesa da Mulher denunciando que sofreram ameaças por estarem na organização ou por confirmarem participação no protesto.

Manifestações de cunho fascista têm ocorrido no país, sob o silêncio ensurdecedor do Ministério Público Federal, da Polícia Federal, do Presidente da República. Se as instituições da República não se posicionam, cabe aos trabalhadores enfrentar o discurso do ódio, sobretudo às mulheres trabalhadoras.

Mulheres na luta

A mobilização contra as ideias conservadoras e reacionárias tem marcadamente e com justa razão um corte de gênero. Mas é preciso ter em vista que a movimentação conservadora e reacionária se dá com a retirada de direitos da classe trabalhadora.  Para Qelli Rocha, da direção do ANDES-SN, a reforma trabalhista, a proposta de reforma da previdência e a emenda Constitucional 95/16, que congela gastos públicos por duas décadas são expressões dessa mesma política. “Para nós, docentes do ensino superior público, essas medidas atingem diretamente as condições das universidades públicas, as nossas condições de trabalho, a nossa carreira e a nossa aposentadoria”, denuncia.

Para a docente, as manifestações do dia 29, além de enfrentar as ideias conservadoras e protofascista, vão denunciar os ataques que a classe trabalhadora vem sofrendo no Brasil. “É fundamental que a gente possa aderir de forma massiva aos atos para enfrentar esses projetos de lei que retiram direitos dos trabalhadores”, afirma.

Qelli Rocha defende que os atos também pautem outras reivindicações dos movimentos sociais, como a liberdade de manifestação e a não criminalização da militância dos movimentos sociais. Para a dirigente, uma palavra de ordem que não pode faltar nas mobilizações de sábado é: exigimos saber quem matou e quem mandou matar Marielle e Anderson. “Será um momento de luta em defesa da vida dos ativistas que têm sido mortos e perseguidos”.

Eblin Farage, da diretoria do ANDES-SN, lembra que para o Sindicato Nacional, “continua a ser um desafio a construção de um projeto de sociedade que de fato possa interessar a classe trabalhadora, superando todas as formas de exploração, dominação e humilhação. Por isso reafirmamos na importância de apontar que a luta real deve ultrapassar as urnas, confiando na capacidade dos setores explorados e oprimidos de construção de uma sociedade emancipada’.

Fonte: ANDES-SN
Posted On 28 set 2018

Sinais de autoritarismo que não podemos admitir

Nós, da Aduferpe, acreditamos que se procura construir, na UFRPE, uma cultura de compreensão, liberdade e respeito. Por isso, é urgente esclarecer fatos que apontam para direções distintas e perigosas, que precisam ser do conhecimento de todos para que não tornem a se repetir.

Por ocasião da JURA – Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária – foi erguido um barracão na praça entre o CEGOE e a Aduferpe, sendo usado posteriormente para outras atividades coletivas, inclusive abrigando evento no dia 26 de setembro, do EPEPE – Encontro de Pesquisa Educacional de Pernambuco, com participação do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o qual teve sua bandeira afixada na estrutura. Hoje, quinta-feira 27 de setembro, logo de manhã, a comunidade universitária assistiu surpresa e indignada o barracão ser destruído sem qualquer aviso prévio, diálogo ou justificativa, sob a alegação de expiração de licença. A ordem, oriunda de alguma chefia de escalão inferior, foi logo depois desautorizada pela gestão superior da Universidade, seguindo-se a segunda ordem para se reerguer o barracão, o que já está tendo efeito.

Independente do desfecho para o ocorrido e a justa correção do grave erro a tempo, é fundamental que façamos uma reflexão: não podemos permitir que o autoritarismo que parece contaminar a sociedade penetre no campus e nos atos cotidianos dos colegas professores, técnicos e estudantes, interpondo a “força da lei” acima do legítimo.  É fundamental que a compreensão da Universidade a respeito da construção de uma sociedade mais justa reflita-se nos nossos atos do dia-a-dia.

Que se reerga o barracão como símbolo da nossa acolhida ao MST e a todos os movimentos sociais que lutam pelos direitos do povo!

Que se reerga o barracão como símbolo de nossa resistência ao autoritarismo!

 

Posted On 27 set 2018