CURSO SOBRE O GOLPE DE 2016: INSCRIÇÕES SUPERAM A EXPECTATIVA

Com o compromisso de lutar pela democracia, defender os direitos dos/as trabalhadores/as e a autonomia universitária combater o desmonte das políticas públicas, tendo por objetivo um país mais justo, um grupo de professores da UFRPE e a direção da Aduferpe lançaram, na última quinta (3), o curso O Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil. O primeiro encontro, realizado no auditório da Aduferpe, teve como tema Teoria geral do golpe: estado de exceção e estado constitucional de direito, ministrado pela professora da UFRPE, Marcília Gama, e o pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Túlio Velho Barreto.

A abertura do evento foi realizada pela professora Lúcia Falcão (Depto. de História), seguido de falas da presidenta da Aduferpe, professora Érika Suruagy, dos professores Carlos Pontes (Depto. de Ciências Sociais), João Morais (Depto Ciências Sociais), José Nilton (Depto de Educação), e da representante da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), Manuella Mirella. O primeiro encontro revelou o grande interesse de professores, alunos e público em discutir e aprofundar o tema do golpe de 2016, sob a regência do desgoverno Temer. Quase 300 pessoas se inscreveram, superando as expectativas dos organizadores.

Para a presidenta da Aduferpe, o curso será um importante instrumento para se entender melhor o contexto que estamos vivendo. “A direção do Sindicato valoriza os espaços de formação política dos nossos/as professores/as. Vamos apoiar todas as iniciativas em defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores/as e da soberania nacional”, ressaltou Érika Suruagy. O pesquisador Túlio Velho Barreto elogiou a iniciativa dos docentes da UFRPE, criticou os ataques à autonomia universitária, a reforma do ensino médio e a difícil situação de perseguição e retrocesso vivenciada hoje na Fundação Joaquim Nabuco.

O professor João Morais destacou a relevância do curso como um espaço de fortalecimento de laços, pertencimento aos preceitos democráticos e perspectiva de resistência popular ao golpe. Na sua apresentação, a professora do Departamento de História da UFRPE, Marcília Gama, chamou a atenção para a tradição golpista da república brasileira e a permanente fragilidade da democracia. Segundo ela, dos 42 presidentes do Brasil, até hoje, apenas 18 foram eleitos pelo voto do povo. Desse total, somente 11 terminaram seus mandatos. “É uma democracia pífia, que em 126 anos de vida republicana já sofreu sete golpes. Vive-se mais sob estado de exceção do que sob o regime democrático”, criticou.

“O Golpe de 2016 passa por uma rede internacional com informações gerenciadas por uma mídia reprodutora dos interesses de grupos poderosos que compõem o sistema responsável pela financeirização da economia em escala mundial. Esse sistema é movido pelo capital selvagem em sua fase mais devastadora”, ressaltou.

Composto por 15 encontros, cada um com 4h de duração, o curso O Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil prossegue na próxima quinta (10) discutindo o tema As Reformas Neoliberais: a agenda de retrocesso do golpe, com o professor João Moraes e convidados.

Maiores informações: http://cursogolpe2016ufrpe.blogspot.com.br/