Golpes de 64 e 2016: os mesmos interesses e bandeiras aprofundando o retrocesso

Conjuntura Política e Econômica no Contexto dos Golpes de 1964 e 2016 foi o tema da quarta aula do curso O Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil, com o professor do Departamento de História da UFRPE, Gustavo Acioli, e os seus convidados: a professora Ana Monteiro, do Departamento de História da UFPE, e o professor João Policarpo Rodrigues, do Departamento de Economia da UFPE.

Os debatedores traçaram um paralelo de fatos comuns que motivaram os dois golpes, como a bandeira da corrupção desenfreada, o cenário de crises e ‘badernas’ e o apoio da grande mídia, do capital financeiro, dos interesses internacionais, da classe média e de setores conservadores da igreja.

Os professores destacaram algumas políticas estratégicas dos governos Lula e Dilma que culminaram com o golpe. Entre as principais, a mudança na política de partilha do pré-sal, o programa Bolsa Família, a política de aumento do salário mínimo, o fortalecimento de grandes empresas locais de construção civil, além da ampliação de investimentos em programas de saúde e educação para facilitar o acesso da população de renda mais baixa.

A professora Ana Monteiro afirmou que não tem como não ser pessimista no contexto do neoliberalismo. “As mudanças no orçamento público têm que ser estruturais e não conjunturais. A PEC dos gastos públicos é o principal fator para o não crescimento do país. Além do mais, exigências constitucionais passaram a não ter valor. Isso é retrocesso de conquistas”, enfatizou.

O professor Policarpo ressaltou que uma das medidas mais importantes dos governos Lula e Dilma foi a geração de renda regional, que se deu de várias formas, como a redistribuição da política de petróleo e gás, que fez com que grandes projetos de engenharia e energia fossem articulados dentro do contexto local. ‘Manter empresas estatais em setores estratégicos é fundamental para o nosso desenvolvimento’, frisou.

Segundo ele, a ‘demonização’ do Estado e o ‘endeusamento’ do mercado vão marcar esses tempos difíceis que o país atravessa, com retrocessos como a Reforma Trabalhista e a mudança na política do petróleo. Policarpo alertou que uma intervenção militar é algo que não pode ser descartado. E chamou a atenção dos participantes da aula para os ‘golpes dentro de golpes’, se for aprovado no Congresso o regime parlamentarista.

Sobre a intensificação dos ataques à democracia, ele respondeu que muita gente ainda não acordou para essa questão. ‘A democracia aparente faz parte do neoliberalismo, ela não pode ser efetiva’, observou.

O quinto encontro do curso O Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil acontecerá nesta quinta-feira (14), a partir das 14h, no auditório da Aduferpe, com palestra do professor da UFRPE, Eduardo Jorge, sobre o tema O Golpe de 2016 e a Destruição dos Direitos – o ataque à CLT.

Mais informações: http://cursogolpe2016ufrpe.blogspot.com.br/