O golpe nos direitos humanos aprofunda miséria e violência no Brasil

‘Os direitos humanos neste país já estavam sofrendo golpes antes mesmo do golpe, que quebrou a legalidade, retirando a presidenta eleita Dilma Rousseff do comando da nação’. Com frases como esta, o palestrante Humberto Miranda, professor do Departamento de Educação da UFRPE, chamou o público presente no 6º Encontro do Curso O Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil para uma reflexão sobre os ataques sem precedentes aos direitos humanos na atual conjuntura e a fragilidade da democracia brasileira.

Os professores Humberto Miranda e Hugo Monteiro, também do Departamento de Educação da UFRPE, comandaram o encontro que teve como tema O Golpe de 2016: Direitos Humanos em Tempos de Incerteza. Segundo eles, o discurso do golpe foi fortemente marcado pelos ataques aos direitos humanos, desconstruindo e criminalizando as lutas e conquistas dos movimentos sociais, como negros e negras, mulheres, crianças e adolescentes.

‘A misoginia é uma questão muito presente neste golpe. Quem não lembra das ofensas à presidenta Dilma, afirmando que ela não gostava de sexo, era uma desequilibrada, louca?’, indagam os professores. Segundo eles, o golpe foi permeado por discursos machistas e misóginos e apoiado por uma classe média que não suporta a política de cotas, a lei que deu garantias trabalhistas às empregadas domésticas, por exemplo.

Foi destacado pelos palestrantes que uma das primeiras medidas do desgoverno  Temer foi a extinção do Ministério dos Direitos Humanos, pasta criada para garantir os direitos de minorias historicamente oprimidas no Brasil. Também foi ressaltado que a equipe ministerial formada por Temer tem uma representação simbólica desse momento tenebroso: é majoritariamente formada por homens, brancos e com fichas criminais bem ‘recheadas’.

Os professores observaram a necessidade de maior manifestação por parte dos movimentos sociais e elogiaram a iniciativa do Departamento de Ciências Sociais (Deciso) da UFRPE, com o apoio da Aduferpe, na realização do curso sobre o golpe de 2016. Frisaram ainda: ‘Não há condições de se construir um canal com esse governo, que criminaliza os movimentos sociais, aumenta a exploração do trabalho infantil, a miséria e a perseguição aos pobres, que estão tendo seus filhos revistados e mortos pela polícia nas favelas’.

‘O golpe de 2016 foi um golpe frio, com requintes de crueldade. A história não se repete, mas não podemos esquecer de Marielle’, enfatiza Humberto.