Reitores das universidades estaduais paulistas negam reajuste salarial a docentes

O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) informou, em segunda reunião de negociação com docentes e técnico-administrativos realizada em 17 de maio, a decisão de oferecer reajuste zero às categorias na Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A justificativa do Cruesp para o reajuste zero é baseada “nas dificuldades orçamentárias e financeiras” das universidades.

O Fórum das Seis, que agrega as entidades sindicais de docentes e técnico-administrativos das três universidades estaduais paulistas, reagiu contra a posição do Cruesp. “O zero nesta data-base faz com que os salários na Unicamp e na USP percam, aproximadamente, 10% de seu poder de compra em dois anos”, informa o Boletim do Fórum das Seis. “Na Unesp, essa perda fica em torno de 13%. Uma corrosão muito grande em tão pouco tempo. Se considerarmos as perdas acumuladas desde 1989, os salários regrediram cerca de 40%”, afirma o informativo das entidades sindicais. A decisão dos reitores agrava ainda mais a situação da Unesp, que não pagou sequer os 3% negociados na data-base de 2016.

Os representantes do Fórum das Seis criticaram, também, a postura dos reitores, que vem se repetindo há anos. “Há uma clara opção política por manter as universidades estaduais paulistas à custa de arrocho salarial, da deterioração das condições de trabalho e da estagnação da permanência estudantil”, assinala o Boletim. A crise de financiamento vem sendo denunciada pelos sindicatos há décadas, “mas os reitores nunca se propuseram a questionar a política do governo estadual, que confisca recursos das universidades sistematicamente”, completa o Fórum.

No decorrer da reunião entre o Cruesp e o Fórum das Seis, o professor César Minto, presidente da Associação dos Docentes da USP (Adusp – Seção Sindical do ANDES-SN), questionou o fato de o reitor da USP, Marco Antônio Zago, furtar-se de exigir do governo estadual o devido financiamento das universidades estaduais, e,  ao contrário, fazer repetidas declarações públicas de que não há falta de recursos.

O presidente da Adusp SSind. criticou, ainda, o fato de a Reitoria efetivar um Plano de Incentivo à Demissão Voluntária em duas etapas (PIDV 1 e 2) — sem qualquer estudo de impacto — e estar autorizada a instituir na USP a relação de 40% de docentes para 60% de funcionários, o que poderá resultar na perda de mais 5 mil técnico-administrativos.

O Fórum das Seis também indagou ao Cruesp, oficialmente, qual a posição do colegiado acerca dos “Parâmetros de Sustentabilidade Econômico-Financeira da USP”, aprovados pelo Conselho Universitário em 11 de abril. O presidente do Cruesp afirmou que o órgão ainda não teve acesso ao documento.

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Com informações e imagem de Adusp-SSind

 

 

Fonte: ANDES-SN