O direito ao voto da mulher e falta de representatividade em espaços de decisão 

Há 94 anos, as mulheres brasileiras arrancaram, com luta e mobilização, o direito ao voto, garantido no Código Eleitoral de 1932. Um direito que, à época, ainda era limitado, facultativo, a partir dos 21 anos e cercado de restrições. Mesmo assim, foi uma ruptura histórica com um sistema político construído para silenciar as mulheres. 

Mas quase um século depois, de que democracia estamos falando se a população feminina, que representa mais da metade da população brasileira, segue excluída dos principais espaços de decisão? No Congresso Nacional, presença de mulheres ainda é vergonhosamente inferior ao que representam  na sociedade. Maioria nas urnas, mas minoria nas cadeiras onde se definem os rumos do país.

Atualmente, as mulheres ocupam cerca de 18% das cadeiras no Congresso Nacional brasileiro, somando a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, aproximadamente, elas representam 17,7 % na Câmara e 19,8 % no Senado. Isso resulta em apenas cerca de 107 mulheres entre os 594 congressistas.

Não se trata apenas de alterar números. Trata-se de poder real. De decidir sobre orçamento, políticas públicas, combate à violência, igualdade salarial, saúde reprodutiva, creches e trabalho digno. Trata-se de transformar estruturas que historicamente foram moldadas por e para homens.

Celebrar esta data é, sim, honrar quem veio antes de nós. Mas é também assumir que a luta está longe de terminar. O patriarcado segue operando nas instituições, nos partidos, nas estruturas de poder, tentando empurrar as mulheres de volta ao lugar da invisibilidade.

A Aduferpe se une às mulheres para dizer “não aceitamos retrocessos!” Queremos paridade, queremos voz, queremos decisão!

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